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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Uma Salada Pouco Russa

Este calor tolda-me o pensamento.
Procuro palavras, ideias, momentos nos recônditos da minha mente e nada encontro.
Apenas o eco do silêncio a ribombar, repercutindo-se infinitamente por todas as terminações nervosas que constituem o meu ser.
Há dias assim, sem ideias, sem inspirações e sem criatividade. Dias em que podemos fazer todas as manobras acrobáticas possíveis, mas as ideias não fluem, a mente não trabalha e o consciente não produz.

Num dia assim, passado entre a frustração e o cansaço psicológico da falta de um rasgo de iluminação, cheguei a casa pouco crente nos meus dotes culinários para o jantar.
Dirijo-me melancolicamente para a cozinha, os pés a arrastar, as ideias também.
Lá tiro umas coisitas do frigorífico, outras do congelador. O que fazer? Vai tudo a cozer...
É nestas alturas que sei que a minha cozinha tem uns pózes no ar. Uns perlimpimpins.
Pois que em vez de sair um peixito cozido, lá saiu esta saladinha muito surpreendente e muito deliciosa, que não é Russa, nem é à Gomes de Sá...
É apenas uma salada como se fez por cá!:)

Ingredientes (2 pessoas):
4 batatas
2 cenouras
1 alho francês pequeno (com a rama)
2 ovos
2 postas de pescada (ou filetes, lombos, medalhões...)
200gr de miolo de camarão (ou a gosto)
200gr de ervilhas congeladas (ou a gosto)
1 cebola
3 dentes de alho
azeite q.b.
sal e pimenta branca q.b.
1 raminho de salsa

Descasque as batatas, corte-as em cubos e leve a cozer num tacho. Descasque as cenouras, corte-as em triângulos, arranje o alho francês, retirando as folhas estragadas, corte-o em rodelas  e junte-os às batatas. Deixe ferver 5 minutos e acrescente as ervilhas e os camarões. Tempere de sal.
Quando os legumes estiverem cozidos, retire, escorra e reserve.
Entretanto, noutro tacho, coza o peixe e os ovos em água temperada de sal.
Quando cozido, limpe o peixe de peles e espinhas, desfaça-o em pedaços e reserve.
Descasque os ovos cozidos e reserve.
Num tacho largo (pode ser onde cozeu os legumes, depois de os retirar e escorrer a água) aqueça um pouco de azeite e refogue a cebola, devidamente descascada e cortada em meias luas e os dentes de alho, descascados e laminados. Quando a cebola estiver a ficar translúcida, acrescente o peixe e deixe tomar o gosto. Junte os legumes, a salsa picadinha, os ovos às rodelas, tempere com pimenta branca a gosto e envolva bem. Se necessário, acrescente mais azeite, pois este é um prato que pede bastante.
Sirva de imediato e se gostar pode decorar com azeitonas pretas.

Bom Apetite!!:)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Arroz de Atum com Ovos Escalfados...e uma História!

Se há comida que me deixa sempre feliz é uma bela arrozada. Seja um simples arroz branco ou um belo arroz de marisco, para mim é sempre uma satisfação.
Quando cheguei ao 6º ano da faculdade, a preparação da prova final levou-me a entrar num espírito de reclusão quase perpétuo. De manhã trabalhava num pré-estágio das 9h à 13h30m e de tarde fechava-me em casa a queimar as pestanas. Ao lanche roía uma peça de fruta ainda sentada à frente do computador e ao jantar engolia uma sopa para logo poder voltar para o meu lugar, onde permanecia até à 1 da manhã. Deixei de ir ao ginásio, deixei de fazer o que fosse, apenas estava focada em acabar o curso. Até o desgraçado do meu marido, na altura namorado, era despachado e só tinha direito a um pouquinho de atenção aos fins de semana! 
Ora a minha mãe, cheia de pena de me ver naquele ritmo, decidiu começar a fazer-me umas coisinhas ao final da tarde para ver se me animava. Qual não é o meu espanto, quando certo dia começo a sentir chegar-me o aroma de biscoitinhos a cozer no forno!! E noutro dia, o barulho de panelas a chocalhar, massas a bater e cozinhados a borbulhar!! A meio da semana!! Era chegar à cozinha quase todos os dias e deparar-me com a minha mãe num rodopio a fazer travessadas de rissóis caseiros, ou um empadão, ou um bolo, ou então uma das suas fantásticas arrozadas, entre as quais um belíssimo e muito memorável arroz de atum com ovos escalfados!!
Escusado será dizer que acabei o curso um bocadinho mais redondinha... Mas muito, muito feliz!!:)

E assim fiz este arrozinho, que tão boas memórias me traz, para celebrar o 1º aniversário do delicioso Bolo da Tia Rosa, o blogue da querida Mané, que para a ocasião nos convidou a partilhar consigo Um Arroz e uma História!

Ingredientes (2 pessoas, a sobrar para mais uma!)
1 cebola
2 dentes de alho
1 folha de louro
1 cenoura
2 tomates de cacho
1 colher de sopa de polpa de tomate
200g de mistura de cogumelos (usei congelados)
2 latas de atum em azeite
2 ovos
sal e pimenta preta acabada de moer q.b.
azeite q.b.
1 raminho de salsa
1 medida de arroz carolino
3 medidas de água a ferver

Descasque e pique a cebola e o alho e leve-os a refogar no azeite escorrido das latas de atum (eu só usei de uma e juntei mais um pouco de azeite normal). Junte a folha de louro e quando a cebola estiver translúcida junte a cenoura descascada e cortada em pedacinhos pequenos e os tomates também em pedaços (não limpei nem peles, nem sementes, mas pode fazê-lo se preferir). Adicione a polpa de tomate e envolva bem. Acrescente os cogumelos, deixe harmonizar os sabores e cubra com a água a ferver. Tempere de sal e quando levantar fervura junte o arroz, previamente lavado para perder a goma.
Quando o arroz estiver quase cozido, incorpore o atum desfeito, envolvendo bem. Polvilhe com a salsa picadinha, quebre os ovos sobre o arroz e tempere-os com um pouquinho de sal fino e pimenta acabada de moer. Deixe escalfar e assim que desligar, sirva de imediato.

Bom Apetite!!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Soufflé Carilado de Bacalhau e Abóbora


De vez em quando acontece. Parece que os astros alinham todos a uma determinada direção e dá-se a epifania. Não há mais nada a fazer, o que terá que ser, assim será. E assim foi. Acordei de manhã com uma ideia e não mais a consegui largar desde então. Parecia-me que sim, que tinha que ser assim e de mais nenhuma outra forma, que era a única e a ideal solução.
Um soufflé de caril de bacalhau e abóbora!! Pois se na minha mente tudo parecia fazer sentido, porque não experimentar? Só não conto a cara do meu marido quando lhe disse o que estava a fazer para o jantar. Expulsei-o da cozinha, que não há lugar para mais nada a não ser a minha enorme criação!!
Mas parece-me que os astros tinham razão...
Os aromas libertados já deixavam adivinhá-lo, mas assim que o provámos...
Já tenho feito vários soufflés, mas tenho a impressão de que este conquistou um lugar no topo da lista dos preferidos de sempre!
E apesar de não ter crescido tanto como gostaria, ficou de tal forma delicioso que rapidamente esqueci esse pequenino pormenor:)
Será de certeza muitas vezes repetido cá por casa!
Ingredientes (2 pessoas):
1 embalagem de bacalhau desfiado - 500g
200g de abóbora (descascada e limpa de pevides)
1 cebola
3 dentes de alho
azeite q.b.
sal e pimenta preta acabada de moer q.b.
1 colher de sopa de pó de caril
1 lata de leite de coco (usei light e não a gastei toda)
2 colheres de sopa de farinha
4 ovos
manteiga para untar

Demolhe o bacalhau - eu coloquei-o apenas de manhã e fui mudando a água várias vezes ao longo do dia (quando está assim desfiado é o suficiente, se for em posta tem que ser cerca de 2 dias).
Ligue o forno a 180º.
Coza a abóbora em água com sal e reduza-a a puré, com meia chávena da água da cozedura. Reserve.
Escalde o bacalhau em água a ferver e escorra-o. Coloque-o sobre um pano (dos da louça) e esfregue o bacalhau, como se estivesse a esfregar roupa, até ficar bem desfeito.
Aqueça uma boa porção de azeite num tacho largo e refogue a cebola e o alho, respetivamente descascados e picados. Quando a cebola estiver a ficar mole e translúcida, adicione o bacalhau desfeito e envolva bem.
Incorpore a abóbora e tempere com a pimenta preta acabada de moer e o caril. Deixe ganhar gosto durante uns minutos e junte a farinha. Comece a juntar aos poucos o leite de coco, reservando um pouco onde se desfazem as gemas (mas não se juntam já). Eu não utilizei a lata toda, apenas cerca de 3/4, talvez 300ml. Quando o preparado tiver ganho uma consistência mais cremosa, retire do lume e junte então as gemas desfeitas, envolvendo bem. Verta tudo numa taça alta que possa ir ao forno, previamente untada com manteiga.
Bata as claras em castelo firme e envolva-as delicadamente no preparado de bacalhau, sem mexer muito.
Leve ao forno até ficar douradinho e, de preferência crescido:)
Sirva de imediato com uma salada de folhas verdes aromatizada com coentros.

Bom Apetite!
São servidos?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Ervilhas com Bacon e Ovo Escalfado

Porque os dias rapidamente se transformam em noites.
Porque os minutos rapidamente se transformam em horas.
Porque as coisas mais simples nos fazem sorrir.
Porque sim, sou feliz.

Ingredientes (2 pessoas):
1 cebola pequena
2 dentes de alho
1 talo de aipo
1 folha de louro
100g de fiambre em cubos
130g de bacon em cubos
500g de ervilhas congeladas
1 copo de vinho branco
2 ovos
1 pouco de pimenta cayenne a gosto
sal e pimenta preta acabada de moer q.b.
azeite q.b.
1 raminho de cebolinho fresco

Pique a cebola, o alho e o aipo finamente e leve-os a refogar num wok ou caçarola com um fio de azeite. Junte a folha de louro e deixe cozinhar até a cebola ficar translúcida. Adicione os cubos de fiambre e bacon e cozinhe mais alguns minutos mexendo sempre. Tempere com uma pitada pequena de sal, pimenta, a pimenta cayenne e refresque com o vinho. Tape e deixe apurar uns minutos até absorver o vinho. Adicione então as ervilhas, envolva bem os sabores e junte um pouco de água a ferver. Rectifique de sal e deixe cozinhar em lume brando até as ervilhas estarem cozidas.
Entretanto, num tachinho ferva um pouco de água temperada de sal e um fio de vinagre e escalfe os ovos durante 3 minutos*. Retire-os de imediato e coloque-os sobre as ervilhas, temperados com um pouco de pimenta preta acabada de moer. Por fim, polvilhe tudo com o cebolinho picado.

Para os dias relâmpago, um prato de puro conforto instantâneo!

*Eu prefiro fazer um ovo de cada vez. Como alternativa e se se quiser optar pelo método tradicional, podem-se escalfar os ovos directamente sobre as ervilhas quando estas estiverem quase cozidas. No entanto, esta forma que sugiro torna-se, na minha opinião, mais apelativa à vista e ao paladar permitindo rasgar o ovo e deixar escorrer a gema lenta e gulosamente sobre as ervilhas... mmm....
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