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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Salmão em Molho de Passas, Laranja e Vinho do Porto

Finalmente estou de volta, depois de duas semaninhas bem atribuladas por aqui! Primeiro foi o temporal que nos deixou sem luz uns dias e depois, como achei que ainda podia melhorar o panorama, resolvi apanhar uma valente gripe que me deixou de cama o resto da semana... Bem, pelo menos o timing até não foi muito mau, já que quando a coisa me pegou já havia aquecimento em casa e a chaleira já funcionava... É que por cá tudo na minha cozinha funciona a eletricidade. Placa, forno, etc, etc, etc. Tudinho, portanto.

Enfim, mas o pior já passou e ainda venho a tempo de dar os parabéns à Lenita com este prato!!
É uma receita simplesmente maravilhosa, o salmão fica com um sabor e uma textura únicos, as lascas soltam-se suavemente umas das outras e o aroma é divinal!
A ideia veio de um episódio de um programa de culinária dos anos 90 que adorava ver, "Two Fat Ladies", duas senhoras bem robustas que se passeavam pelo Reino Unido numa fantástica mota com side-car. Na receita original apenas é utilizado vinho tinto, mas eu desta vez experimentei com vinho do Porto e com as passas e acho que ficou ainda melhor!
A laranja, neste caso, serve apenas como tempero, está lá para conferir sabor ao peixe e ao molho, mas não deve ser consumida, já que se torna amarga pela absorção do vinho.
Vale bem a pena experimentar esta receita, por cá já a fiz várias vezes e é sempre uma delícia, mas atenção que o vinho deve ser de qualidade, qualquer um que gostem de beber! Há tempos até fiz com um Lambrusco tinto que tinha sobrado de um jantar e resultou às mil maravilhas!:)
E a boa notícia é que se faz num instante, sem grande trabalho ou acrobacias culinárias!
É, na opinião do meu marido, um dos melhores pratos de salmão! (eu acho que é graxa, mas como sabe bem, acredito eheheh)

Mesmo no limite, aqui fica a minha participação no passatempo do aniversário do blogue Tentações sobre a Mesa da Lenita:)
Ingredientes (2 pessoas):
1 lombo de salmão fresco com a pele
sal e pimenta acabada de moer q.b. (usei um moinho de pimenta preta e branca)
noz moscada moída na hora q.b.
1 mão cheia de passas
1 laranja grande ou 2 pequenas
1 copo de vinho do Porto
1 copo de vinho tinto (de aroma agradável, não usem vinho carrascão aqui)
1 raminho de cebolinho fresco

Coloque o lombo de salmão com a pele virada para baixo numa frigideira ou caçarola anti-aderente. Tempere de sal, pimenta acabada de moer e rale um pouco de noz moscada.
Descasque a laranja, corte-a em rodelas e disponha-as em volta do salmão, cobrindo-o ligeiramente nas extremidades. Junte as passas, regue com o vinho do Porto e com o vinho tinto, cubra bem a frigideira com papel de alumínio e leve ao lume. Assim que sentir ferver, reduza o lume para o mínimo e deixe cozinhar cerca de 15 minutos.
Findo esse tempo, desligue, retire a folha de alumínio com cuidado para não se queimar com os vapores, polvilhe com o cebolinho fresco picado e sirva de imediato.

Relembro que a laranja aqui apenas serve como tempero, não sendo servida, pois como absorve o sabor do vinho, torna-se amarga.
Fica uma delícia a acompanhar um puré de batata:)

Bom Apetite! 


sábado, 17 de novembro de 2012

8ª Edição do Convidei para Jantar - Uma festa Real!


As portas do salão abrem-se e começam a desfilar algumas das mais importantes figuras da história, com as suas vestes exuberantes e portes importantes!
Lá fora, a praça central vai-se apinhando de coches, carruagens e limousines, transformando o espaço numa autêntica passerelle de ostentação e luxo.

Depois de sua Majestade Marie Antoinette ter inaugurado este banquete real, entregando-se aos encantos de uns red velvet cupcakes, eis que surgem os mais ilustres convidados, acompanhados pelas melhores iguarias!

Com uma pontualidade irrepreensível, chegou Mary, Queen of Scots, a rainha enclausurada que como seu último desejo pediu a Joan que lhe trouxesse a sua querida e adorada Escócia. Joan, encantada com a beleza e porte altivo e orgulhoso da prisioneira, prontamente atendeu ao seu pedido e preparou-lhe uma Sopa de espinafres, ervilhas e lentilhas verdes e um Pão integral de soja e espelta com cerveja preta e sementes.

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Lady Lenita, depois de ter encontrado D. Pedro I sentado numa namoradeira no Paço do Convento de Santa Clara em grande sofrimento, procurou apaziguar a sua alma oferecendo-lhe um Pão Girassol com Camembert, em homenagem àquela que foi a grande amada de sua Majestade, a mais bela e radiosa flor. D. Pedro I gostou tanto que decidiu ser o seu par neste banquete.

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Uma hora depois de soarem as 15h da tarde no relógio, cujas badaladas se ouviram ribombar por todos os confins do palácio, chega D. Catarina de Bragança, sendo logo recebida por Lady Maria, sua amiga de longa data. Juntas tomaram um chá, depenicando pão torrado com marmelade e um Bolinho delicioso de Morango e Baunilha.

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Ainda decidida a visitar uma outra amiga para mais um chá das cinco, D. Catarina de Bragança dirigiu-se à sua carruagem e rumou à propriedade Está Vento, deixando os vizinhos da amiga pasmados com a sua imponente chegada. Aqui deliciou-se com um Fofinho de Aveia e Amêndoa.

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Também para o chá chegou a Princesa de Paris, Diana de Cadaval, que surpreendeu a sua amiga Lady Manuela com um telefonema e um convite inesperado. Nervosa com tão ilustre visita, Mané, como carinhosamente lhe chama Sua Alteza, foi de imediato para a cozinha preparar um Bolo de Ruibarbos e Curd de Limão.

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Começa a chover a cântaros e ouvem-se os passos de mais uma convidada, a lindíssima Grace Kelly, a atriz que se tornou a mais bela princesa da história, que surge com um vestido de seda esvoaçante e elegante. Rapidamente se dirige para a sua doce amiga, Lady Ginja, e juntas vão sentar-se perto da lareira, na companhia dos gatos e de um maravilhoso Bolo de Chocolate, que saborearam por entre conversa animada.

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Inspirada por uma das paixões mais arrebatadoras da história, pois viveu ela própria um amor proibido, embora felizmente sem acabar em tragédia, Lady Marmita fez o convite a D. Inês de Castro e serviu-lhe um delicioso Entrecosto com Romã. Foi um jantar cheio de sabor e romantismo, animado por confidências e desabafos, especialmente do "mau feitio" do sogro.

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Lady Guida, para receber a sua convidada, a Duquesa de Parma, Infanta D. Maria de Portugal, escolheu uma receita do livro desta, uma relíquia do século XVI que transportou consigo quando foi ao encontro do seu futuro esposo em Bruxelas. Assim, fez uma das versões da Galinha Mourisca, seguindo à risca as instruções originais.

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Vindo do Reino dos Prazeres Desconhecidos, chega D. Dinis, contando a todos quantos por ele passassem que tinha sido muito bem recebido para uma jantarada, cuja sobremesa servida, um Toucinho do Céu, foi a melhor que alguma vez provara!

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Numa visita ao Palácio de Buckingham, Lady Susana encontrou por lá alguém que há muito desejava conhecer, a Princesa do Povo, Diana. Encantada com a simplicidade e simpatia da Princesa arriscou convidá-la para jantar e serviu-lhe uns deliciosos Nuggets, algo simples mas que ela nunca havia provado.

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Lady Isabel nem queria acreditar quando à sua porta surgiram meia dúzia de cavalos e neles montados, cinco homens feridos e armados e uma Guerreira, linda e charmosa, também ela ferida. De imediato acolheu a comitiva de Elizabeth I de Inglaterra, servindo-lhes uma bela Pavlova de Chocolate. A Rainha gostou tanto que aceitou de imediato comparecer ao baile em sua companhia.

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Curiosa em ouvir os feitos da Ínclita Geração contados pela sua progenitora, Lady Frango do Campo decidiu ir ao encontro de D. Filipa de Lencastre, Madrinha de Portugal, levando consigo uns Muffins de Alfarroba e Banana.

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Lady Cristina, atraída pelo som das valsas de Strauss que se ouviam ao fundo do salão, foi ao encontro de Sissi, a bela imperatriz da Áustria e juntas deleitaram-se com um delicioso Sacher Torte.

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Ouve-se novamente o som de cascos de cavalo a bater na pedra da calçada e Lady Ana, ansiosa pela chegada da sua amiga de décadas Alcipe, a Marquesa de Alorna, dirige-se à janela para ver se seria ela. Contentes com este reencontro, as amigas colocam a conversa em dia na companhia de umas deliciosas Duchaises com frutos Silvestres e decidem, por brincadeira, vestir as roupas uma da outra. Admirada com o conforto do par de calças emprestado por Lady Ana, a Marquesa decide que irá passar a vestir-se assim.

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Vindas de uma visita ao Reino Pão de Cereais chegam quatro Rainhas, cujas histórias de vida não poderiam ser mais interessantes! Encantadas com a forma como foram recebidas pela anfitriã, não se cansaram de elogiar o delicioso menu que por lá degustaram.

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Lady Patrícia não podia ter chegado em melhor companhia, com o Magnânimo D. João V, cuja boa disposição e espírito festivo contagiaram todo o salão! Sua Majestade não se cansava de elogiar as maravilhosas Donas Amélias que Lady Patrícia tão gentilmente lhe tinha oferecido!

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Quando viu o formato dos deliciosos Muffins de Abóbora que Lady Carla fez em sua honra, D. Isabel de Aragão, a Rainha Santa, não pode deixar de exclamar - "São Rosas!".

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Lady Pami Sami, avistando a sua amiga de longa data Sissi, acenou-lhe para que viesse degustar as lindas tacinhas que com tanto cuidado havia preparado para a imperatriz, ciente do seu rigoroso regime alimentar. Esta ficou logo encantada com a beleza e originalidade da Pana Cotta de Beterraba que a amiga lhe serviu.

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De volta de mais uma batalha, D. Afonso Henriques conta como foi bem recebido em casa de Lady Manuela, que depois de lhe servir o seu caldo de galinha preferido ainda fez um Bolo de Abóbora com Passas e Nozes.

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Do Palácio de Kensington e acompanhadas pela Duquesa de Kent, chegam duas primas muito divertidas, D. Maria da Glória de Portugal e a Princesa Alexandrina Victoria. De imediato se juntaram à sua amiga Lady Agnès que lhes serviu uns Scones de Laranja e Morangos e um chá numa caneca com uma boneca.

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Depois de 2000 anos no túmulo, Cleópatra, a Rainha do Egipto, adorou o Bolo Dourado que Lady Nita lhe ofereceu,  mas só depois deste ter sido aprovado pelos seus reais provadores de comida!

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De repente, o salão enche-se de suspiros à passagem d'El Rei D. Sebastião, que se apresenta impecavelmente e elegantemente vestido com um outfit Nuno Gama! Lady Manuela, encantada com tal figura tão desejada ofereceu-lhe uns Merengues bem aromatizados que fizeram os olhos d'El Rei brilhar como os de uma criança!


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Depois de ter sido presentada com uns muffins, D. Isabel de Aragão, foi ao encontro de Lady Babette que gentilmente lhe ofereceu um Pão de passas e nozes muito estaladiço. A Rainha Santa adorou e pediu-lhe as sobras para levar no seu regaço para os mais pobres.

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A Rainha Santa, no entanto, foi ainda ao encontro da sua amiga Lady Vera, que a levou para um pic-nic em plena Praça da Canção, junto ao Mondego. Enquanto se deliciava com umas deliciosas Barras de Crumble de Framboesa e Morango, D. Isabel, sem se aperceber, atraiu para junto de si quase toda a cidade em peso!


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Finalmente, acabado de chegar do Reino da Prússia, surge D. João II. Ainda admirado, conta como um rapaz lhe entrou no palácio e lhe comeu a sua ceia, uns deliciosos Rojões de Vaca com Batatas. Se não fosse a mulher gorda, o rapaz tinha-o deixado de estômago vazio!!

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Mas eis que se ouvem novamente ainda os ecos de carruagens na praça! Eram Lady Manuela Cravo e Canela e D. Teresa (ou Matilde) que depois de uma longa viagem desde a corte de Flandres ainda vêm alegrar a festa com a sua presença! Trazem com elas um vinho quente e uns biscoitos de mel das serras altas, com passas das vinhas do Douro, amêndoas e as raspas das laranjas deixadas pelos mouros. Foi uma entrada especialmente marcada pelo reencontro emocionado de D. Afonso Henriques com a sua filha predileta, Teresa.


E assim nos encontramos neste baile real rodeados de mil e um convidados de excelência e de sangue azul!
Foi um desfile e tanto de figuras que marcaram e continuam a marcar a história aristocrata mundial e é uma honra poder ter sido a anfitriã de tão pomposo evento!
É com o coração cheio e um grande obrigada a todos os que participaram de forma tão carinhosa, que dou por encerrada esta 8ª edição do "Convidei para Jantar", com o tema Aristocratas.

E é assim que passo o testemunho à anfitriã da 9ª edição deste fabuloso projeto "Convidei para Jantar" que irá decorrer no delicioso blogue Marmita!

sábado, 10 de novembro de 2012

Massada de Tamboril à Marroquina com Passas, Pistácios e Laranja

Uma das coisas que maior prazer me dá é viajar através da comida.
Juntam-se numa receita alguns ingredientes chave e o efeito é instantâneo, por momentos estamos lá, noutra cultura, noutro mundo.
Mas a magia começa logo na preparação, a cada especiaria acrescentada dá-se uma explosão de aromas que faz disparar a mente e a alma, levando-nos para as suas origens.

Quando a Laranjinha do blogue Cinco Quartos de Laranja lançou o desafio do Dia Mundial das Massas, um desafio que consiste em cozinhar um prato de massa Milaneza com um toque de laranja, decidi que teria que experimentar algo diferente.
E assim foi, escolhi a massa Bagos e inspirei-me na cozinha Marroquina, uma cozinha rica em sabores e aromas, condimentada por uma variedade maravilhosa de especiarias.
O resultado não podia ter sido mais surpreendente, um casamento perfeito com a massa que conferiu uma cremosidade deliciosa a toda a receita, transformando-a num prato fabuloso!
Nunca tinha usado este formato de massas sem ser em sopas, mas estou completamente rendida e cheia de vontade de experimentar muito mais!

Ingredientes (2 ou 3 pessoas):
1 cebola roxa
3 dentes de alho
azeite q.b.
1 colher de café de curcuma (açafrão das índias)
1 colher de café de gengibre em pó
1 colher de café de canela em pó
1/2 colher de café de cominhos em pó
1 mão cheia de passas
1 mão cheia de pistácios descascados
raspa e sumo de 1/2 laranja + a outra 1/2 para decorar
500g de tamboril em cubos
1 litro de caldo de galinha (desfaço 1 cubo de caldo natural num litro de água a ferver)
sal e pimenta acabada de moer (usei uma mistura de branca e preta)
1 pitada pequena de flocos de malagueta, ou 1 malagueta seca pequenina (opcional)
1 pitada de fios de açafrão
250g de massa de bagos Milaneza
1 ramo de coentros

Aqueça um fio de azeite numa frigideira grande e larga anti-aderente e junte a cebola e os dentes de alho descascados e finamente picados. Enquanto a cebola amolece em lume brando, junte a curcuma, o gengibre, a canela, os cominhos, as passas e os pistácios e envolva bem. Junte de seguida os talos dos coentros picados, a raspa e o sumo de meia laranja, mexendo sempre para incorporar bem os sabores, e por fim o tamboril. Tempere de sal e pimenta e deixe o peixe absorver bem os sabores durante dois ou três minutos. Junte os fios de açafrão e um pouco do caldo.
Adicione a massa e cubra com mais caldo. Vá vigiando e mexendo sempre enquanto a massa vai cozendo, acrescentando mais caldo à medida que este vai sendo absorvido, mas sem nunca deixar secar.
Quando a massa estiver cozida, retire do lume e sirva de imediato polvilhada com as folhas dos coentros e decorada com a metade restante da laranja cortada em gomos.

Bom Apetite!!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Uma Convidada envolta em Veludo Vermelho

Desde pequena que vibro com histórias.
Histórias de vida, histórias de encantar, estórias que a minha avó me contava e estórias que os meus pais ainda me contam... umas reais, outras nem tanto...
A história faz-nos sonhar, rir, enervar, enraivecer, enternecer, comover, sofrer, assustar, mil e uma reações que não prevemos, mas que vivemos com intensidade à medida que a trama se vai adensando.
E há um mundo que sempre me fascinou particularmente - o mundo da aristocracia!
Quantos de nós não sonharam outrora fazer parte do mundo dos príncipes e das princesas, de reis e rainhas, com os seus vestidos majestosos e palácios encantados?
Pois eu sonhei muito! Em criança, sabia que no fundo era uma princesa a viver sob disfarce, à espera do dia em que a minha identidade fosse revelada!! 

E como ainda me perco por vezes em certos devaneios, decidi viajar pelos meandros da história e fui ao encontro daquela que foi protagonista de uma série de rumores e escândalos, revolucionando a cultura do seu tempo e provocando ela própria a revolução.
Fui ao encontro da tão única Marie Antoinette!!
A ousada rainha que se tornou um ícone de extravagância, que esbanjou fortunas em roupas e jóias, enquanto o povo morria de fome. A austríaca que se tornou rainha de França e que adorava moda, ditando as tendências e influenciando toda a elite francesa com as suas escolhas exuberantes de vestes e penteados, sendo copiada mesmo quando era odiada.
E vi-me de repente em Versailles, por entre rufo-rufos e frou-frous de dezenas de tecidos com rendas e cetins, lustres cintilantes e tetos de pinturas abundantes, num enorme salão onde ao fundo se avistava uma imponente mesa recheada de sobremesas luxuriantes e decadentes, de pudins, bolos e bolinhos sumptuosamente decorados e orgulhosamente exibidos sobre pratos ricos de porcelanas e cristais raros. A menos de um metro, numa chaise longue forrada a veludo vermelho, lá estava ela esplendorosamente sentada sobre o seu volumoso vestido repleto de bordados minuciosos e intrincados de pérolas e jóias brilhantes. Na mão, por momentos esquecido, um red velvet cupcake ligeiramente provado, com o seu manto branco ao de leve desmaiado sobre o corpo carmim...


É com todo o prazer que recebo esta 8º edição do Convidei para Jantar criado pela Ana, do blogue Anasbageri, um maravilhoso projeto que muito me tem feito sonhar, aprender, recordar e deliciar com participações brilhantes ao longo de todas as suas edições! Assim, recebendo o testemunho da Vera do Hoje para Jantar, desafio-vos a trazerem a realeza para as vossas mesas, sejam eles reis, rainhas, príncipes ou princesas, duques, duquesas ou condes e condessas, do passado ou do presente! 
Convido-vos a virem comigo viajar por esse mundo majestoso da aristocracia, a vasculhar pelos confins da história e a festejarem comigo aqui no final, num magnífico banquete digno dos mais belos salões reais!!
 

Para participarem basta:
- Escolher um convidado para partilhar uma refeição baseando-se no Tema Proposto: Aristocratas - o que lhe serviriam?
- Publicar a  participação no vosso blogue, referindo este projeto e incluindo um link para a página mentora no blogue Anasbageri;
- Incluir também um link para esta 8ª edição a decorrer no Alice na Cozinha Maravilha;
- Deixar um comentário com o link da vossa participação neste post;
- Quem não tem blogue poderá enviar-me a sua participação por email, ou publicá-la na minha página do facebook;
- Se tiverem dúvidas podem deixar um comentário nesta página, na página do facebook, ou contactar-me via email;
- Esta edição irá decorrer até ao dia 16 de Novembro.

O salão está oficialmente aberto, tragam os vossos convidados!!

Red Velvet Cupcakes
(Receita adaptada do livro "Cozinha Coração da Casa" de Nigella Lawson) 

Ingredientes:
-Para os queques:
250g de farinha sem fermento
2 colheres de sopa de 15ml de cacau em pó, peneirado
2 colheres de chá de fermento
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
100g de manteiga sem sal
200g de açúcar
1 colher de sopa bem cheia de corante alimentar vermelho-vivo
2 colheres de chá de extrato de baunilha
2 ovos
175ml de buttermilk (soro de leite coalhado)*
1 colher de chá de vinagre de sidra

Ligue o forno a 170º.
Numa taça, combine a farinha, o cacau, o fermento e o bicarbonato de sódio.
Noutra taça, bata a manteiga com o açúcar e quando obtiver uma mistura leve, junte o corante vermelho todo e a baunilha.
Continue a bater a mistura e, sem parar, junte 1 colher dos ingredientes secos, depois 1 ovo, seguido por mais uma colher de ingredientes secos, outro ovo e o resto dos ingredientes secos.
Por fim, junte o buttermilk e o vinagre.
Num tabuleiro de queques, coloque forminhas de papel nas cavidades e divida a massa com a ajuda de uma colher (eu uso uma colher de gelado para dosear) - rende cerca de 24 unidades.
Leve ao forno cerca de 20 minutos e deixe arrefecer numa grelha até ficarem totalmente frios.

-Para a cobertura:
250g de icing sugar - açúcar glacê, peneirado (eu já reduzi bastante relativamente à receita original, mas acho que ainda assim se pode reduzir mais um pouco, talvez 200g)
100g de queijo creme, à temperatura ambiente
75g de manteiga sem sal, à temperatura ambiente
1 colher de chá mal cheia de vinagre de sidra

Coloque o açúcar peneirado numa taça e misture o queijo creme e a manteiga. Junte o vinagre de sidra e bata mais um pouco.
Coloque a cobertura nos queques e decore a gosto.

Bom Apetite!
Nota: Para fazer o buttermilk basta colocar a quantidade indicada de 175ml de leite num recipiente com umas gotas de sumo de limão e deixar descansar por 10 minutos. O leite deverá começar a talhar e estará pronto a ser utilizado.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Regresso à Adolescência com um Convidado Especial

Era um final de tarde como outro qualquer. Estava a chover.
Estendida em cima da cama, tentava estudar rodeada de livros abertos e dossiers com inúmeras folhas soltas sublinhadas.
Na aparelhagem, baixinho, tocavam eles. Os tais. E como eu os adorava, com os seus cabelos desgrenhados, as suas jeans rasgadas e atitude insolente.
A primeira banda que me fez realmente ser fã. Os meus primeiros ídolos. Sim, tudo o que lhes dizia respeito me fazia vibrar. Todas as pequeninas notícias, fotos, pósters e postais eram cuidadosamente armazenados dentro de pastas, revistas alemãs, cujo teor eu não decifrava, cuidadosamente guardadas dentro de capas...
E os álbuns ardentemente pedinchados a cada aniversário e Natal, com o fervor que só uma adolescente no auge dos seus 14 anos consegue imprimir, acabando sempre por convencer uns muito reticentes e reprovadores pais, cuja voz esganiçada de Axl Rose escandalizava. A voz que eu idolatrava.
E enquanto tentava concentrar-me em toda aquela barafunda de matérias e tpc's, na minha mente fluía a imaginação...
 - Ai ai Axl... Se algum dia viesses jantar comigo... Eu fazia-te um bife com batatas fritas... Bebíamos uma coca-cola (se calhar tu bebias uma cerveja)... E no fim levavas-me a um concerto da tua banda, apresentavas-me o Slash, o Duff, o Gilby, o Matt e o Dizzy... Ai o que eu gostava!!

Foram ainda alguns anos de pura devoção, mas com a idade fui abandonando a recolha de recortes e pósters, acabando por me esquecer completamente da minha coleção, algures guardada em parte incerta.
Até que surge um dia. E um desafio.
Mais uma maravilhosa edição da fantástica iniciativa "Convidei para Jantar", que a Ana, do blogue Anasbageri, tão brilhantemente criou e que desta vez é recebido pela musical Vera do blogue "Hoje para Jantar...", com o tema Ídolos Musicais.

Quando soube o tema, soube que teria que descobrir a minha pasta de recortes. A minha outrora pasta das relíquias, pois o meu convidado só poderia ser o meu primeiro ídolo:)
E que belas recordações me trouxe este desafio, que alegria voltar a ouvir todas as músicas que noutra altura tanto me fizeram delirar e que satisfação ir encontrar a tal pasta no sótão da casa dos meus pais, sob um enorme manto de pó, com todos aqueles pedaços de papel tão imaculadamente protegidos no seu interior!

Bifes com Molho de Alho, Tomilho e Mostarda

Ingredientes (2 pessoas):
2 bifes de vaca, do lombo
azeite q.b.
1 colher de sopa de margarina
1 folha de louro
sal q.b.
pimenta preta acabada de moer (usei uma mistura de pimenta para bifes) q.b.
4 dentes de alho
1 colher de chá de tomilho seco
2 colheres de chá de mostarda de Dijon
1/2 pacote de natas (usei de soja light)
1 copo de vinho branco

Bata os bifes numa tábua própria e tempere-os com sal, pimenta e tomilho seco a gosto. Coloque um fio de azeite numa frigideira anti-aderente, acrescente a margarina, a folha de louro e deixe aquecer. Descasque os alhos, lamine 3 sobre os bifes e corte o 4º no sentido longitudinal diretamente para a frigideira.
Leve os bifes a fritar em lume brando, com cuidado para não os passar demasiado, apenas o suficiente para que se mantenham tenros. Assim que tenham ganho alguma cor de ambos os lados retire e reserve-os.
Deite a mostarda sobre a gordura de fritar os bifes, bem como o vinho branco e deixe reduzir um pouco, só para evaporar o álcool. Acrescente por fim as natas, sempre com o lume baixo e mexendo com uma colher de pau para incorporar bem. Coloque novamente os bifes na frigideira para envolver bem o molho e sirva de imediato, acompanhados de umas simples batatas fritas e uma saladinha verde.

Bom Apetite!





segunda-feira, 14 de maio de 2012

Risotto de Beterraba e um Convite... em tom Vermelho

O céu estava raiado de vermelho naquele final de tarde abafado de um calor repentino e estranho. Pelo chão das ruas dançavam sombras compridas e disformes, projetadas por um sol já quase desaparecido no horizonte. Percebia-se na atmosfera tingida algo de surreal, no limiar do paranormal.
Sentia-me nervosa. O meu convidado estava atrasado, o jantar estava pronto e a noite estava a ganhar forma a grande velocidade.
Finalmente o som da campainha faz-me saltar e numa fração de segundo abro a porta, mal disfarçando o entusiasmo.
- Como está, senhor Guillermo del Toro? Fez boa viagem? 
Rasga-me um sorriso enigmático e anui quase impercetivelmente.
Convido-o a entrar e a sentar-se à mesa, servindo-lhe um copo generoso de um vinho tinto espanhol da Rioja. Observo-o enquanto perscruta silenciosamente a refeição que lhe sirvo, vibrante de sangue e pontuada de rubis cintilantes. 
Talvez lhe dê ideias. Ou lhe avive memórias.
O jantar decorre apenas com o som da sua voz, dando vida a fábulas e contos que avidamente escutamos, como crianças hipnotizadas por histórias de encantar.
E termina tão misteriosamente como começou, com uma saída discreta do nosso convidado, que desaparece silenciosamente na noite fantástica, manchada por um luar vermelho.

Mais um mês e mais uma edição da fantástica iniciativa "Convidei para Jantar", que a Ana tão brilhantemente criou. Desta vez, o desafio decorre em casa da Pami Sami, o Menu Verde, que nos propôs convidar um realizador de cinema. E como a anfitriã dá vida a um blog vegetariano, que reflete o seu estilo de vida, pediu-nos que preparássemos nesta edição uma ementa dessa natureza.

Ingredientes (4 pessoas):
3 beterrabas médias
1 cebola roxa
1 dente de alho
1 talo de aipo
1 ou 2 hastes de tomilho
1 haste de alecrim
1 raminho de cebolinho fresco
azeite q.b.
1 cubo de caldo de galinha ou legumes (usei natura)
2 chávenas arroz para risotto (arbóreo ou carnaroli)
1 copo de vinho branco
sal q.b.
água a ferver q.b.
queijo parmesão ralado no momento q.b.

Para o molho:
2 iogurtes naturais
sal q.b.
1 limão (raspa e sumo de 1/2)
cebolinho fresco
azeite q.b.

Coza as beterrabas com a casca em água por cerca de 30, 40 minutos. Deixe arrefecer, pele-as, corte em cubinhos e reserve.
Num processador de alimentos, ou numa picadora, coloque a cebola roxa e o alho descascados, o talo de aipo, o tomilho, o alecrim, o cebolinho e triture tudo.
Aqueça um pouco de azeite numa panela larga e leve esse preparado picado a refogar. Deixe por uns instantes ganhar gosto e junte o cubo de caldo, bem como os cubos de beterraba. Acrescente o arroz e mexa bem para envolver de forma uniforme todos os ingredientes. Refresque com o vinho branco e deixe absorver, sem nunca parar de mexer. Tempere de sal e junte um pouco de água a ferver, continuando a mexer com regularidade. Assim que o arroz tiver absorvido grande parte do líquido, acrescente mais um pouco de água a ferver. Deve repetir-se este processo até o arroz estar cozido, tendo sempre o cuidado de mexer, para que não agarre. Quando estiver quase pronto, retifique o sal, rale uma boa porção de queijo parmesão e envolva bem.

Para o molho, coloque os iogurtes numa taça e tempere de sal, a raspa de limão, sumo de 1/2 e um pouco de cebolinho fresco picadinho. Borrife com um fiozinho de azeite e envolva.

Sirva o risotto assim que estiver pronto, polvilhado com mais um pouco de parmesão acabado de ralar e com um pouco de molho de iogurte com cebolinho a acompanhar. Fica delicioso.

Bom apetite!


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Um Dhal e uma Viagem

 A Vera do fantástico blogue "Hoje para Jantar" lançou-nos um aliciante desafio, "A Volta ao Mundo em 30 dias", que consiste em partilharmos uma receita de um país onde já estivemos, ou estamos e contarmos um pouco dessa nossa experiência.

Uma das coisas que mais me fascina no mundo da culinária é a descoberta de novos sabores e aromas, novas especiarias e novos ingredientes. Sou uma eterna apaixonada pela culinária da Ásia Oriental e o contato maior que tive com essa espantosa cultura foi durante a minha lua de mel, a qual me marcou não só pela enorme beleza do local, como pela gastronomia exótica e extremamente influenciada pela vizinha Índia.
Foi há dois anos, em 2010, que me casei e que decidimos optar por um destino onde pudéssemos os dois relaxar e ao mesmo tempo explorar algo que não conhecêssemos. Assim, lá elegemos as paradisíacas Maldivas, situadas em pleno oceano Índico e a 3 voos de distância do nosso piqueno Portugal. Foi a primeira vez que sentimos o tal "Jet lag", depois de 24 horas em viagem, tendo chegado lá completamente baralhadinhos das ideias! :)
A ilha onde ficámos, tal como muitas outras, era um resort, toda ela dedicada ao turismo e a alguns kilómetros de distância é que se situava a ilha mãe local. As paisagens, a praia, a água límpida e morna, a vegetação tropical e as próprias edificações são de uma enorme beleza, transmitindo mesmo a paz que por lá se procura.
Uma das coisas que mais me fascinou foram as águas, na margem, cobertas de tubarões e mantas bebés, que inicialmente nos deixaram amedrontados, mas que rapidamente percebemos que não se aproximavam de nós. Já durante a noite, todas as construções sobre a água se iluminavam, para que pudéssemos ver o que se passa dentro de água e era possível avistar espécies maiores dos tubarões a nadar silenciosamente, bem mais assustadores. Não era permitido nadar à noite por esse motivo, por precaução, pensamos nós, mas que obediente e diligentemente cumprimos!!!
A gastronomia foi também algo que muito me fascinou, típica da Ásia Meridional, com sabores fortemente condimentados e aromatizados. Todos os dias havia variadíssimos pratos de caril, masalas, tandooris e também caldos exóticos, com o sabor predominante a gengibre, que fizeram as delícias do meu marido! À sexta-feira foi-nos dito que era o dia da comida tradicional e foi no jantar desse dia que pela primeira vez comi um Dhal, um prato sem o qual uma refeição tipicamente indiana nunca está completa, sendo um dos pratos de base da alimentação de grande número de famílias e, portanto, indispensável a qualquer mesa. E foi precisamente esse prato que decidi partilhar aqui hoje, pois foi o que mais me marcou, não só pelo seu sabor especial, mas também pela forte presença na gastronomia local.

Ingredientes (2 pessoas):
(adaptada do livro "Sabores do Mundo: Índia" do Círculo de Leitores)

250g de lentilhas vermelhas (sem casca)
1,2 litros de água
1/2 colher de café de curcuma (açafrão das índias)
1 colher de chá de gengibre fresco ralado (ou 1 de café de gengibre em pó)
2 colheres de chá de azeite
3 dentes de alho finamente picados
2 colheres de chá de sementes de cominhos
2 colheres de chá de sementes de mostarda amarela
1 colher de sopa de cominhos em pó
1 colher de chá de sementes de coentros
1 malagueta vermelha fresca (ou 1 seca pequenina)
1/2 lata de leite de coco
1 raminho de coentros frescos picados
sal q.b.

Para acompanhar:
uma medida de arroz basmati
2,5 medidas de água a ferver
sal q.b.

Ponha as lentilhas a cozer numa panela com a água, a curcuma e o gengibre e leve à fervura. Baixe a intensidade do lume e cozinhe cerca de 20 minutos, mexendo de vez em quando. Se precisar, junte mais água, pois absorve bastante. Findo este tempo, tempere de sal e reserve.
Entretanto, moa as sementes de coentros num almofariz até as reduzir a pó.
Aqueça o azeite numa pequena frigideira anti-aderente e, quando estiver quente, acrescente o alho picadinho, as sementes de cominhos e as de mostarda, bem como os cominhos em pó e as sementes de coentros moídas e, por fim, a malagueta. Ponha em lume forte durante 2 minutos, sem parar de mexer e em seguida junte este preparado à panela das lentilhas. Mexa bem, acrescente o leite de coco, metade dos coentros frescos picados e aqueça novamente, para apurar, em lume muito brando, mais 5 minutos.
Sirva de imediato polvilhado com os restantes coentros frescos picadinhos e acompanhado de um arroz basmati simplesmente cozido em água temperada de sal.

Bom Apetite!
Deixo também esta música que era uma das que estavam sempre a tocar pelo resort :)

sábado, 14 de abril de 2012

Tarteletes Custard de Cardamomo e um Convite para um Chá

São precisamente 5 horas da tarde.
Toca a campainha e dirijo-me à porta rapidamente, abrindo-a com um entusiasmo mal contido.
- Olá Alice, Feliz Desaniversário!
- Olá Alice, um Feliz Desaniversário para ti também!
Pois hoje é o dia do nosso desaniversário, tal como mais 364 dias do ano (ou 365, em caso de ano bissexto!). E porque não reunirmo-nos num chá da tarde para celebrar tão maravilhosa data??
A Alice concorda perfeitamente e começa a observar com olhos curiosos a mesa posta.
- Estas tartes estão a cheirar muito bem e estão a pedir-me para comê-las. Se calhar vou só provar um bocadinho, da última vez que isto me aconteceu, fartei-me de crescer... Bem, mas está aqui o meu chá inglês preferido, se algo tolo acontecer, bebo-o logo de seguida para ver se funciona como antídoto!
Sabes Alice, o que eu gostava mesmo era de ter um mundo só meu!
Se eu tivesse um mundo só meu, tudo seria tolice! Nada seria o que é, pois tudo seria o que não é. E, pelo contrário, tudo o que é, não o seria. E tudo o que não fosse, seria-o. Estás a ver?*
Olho para ela com ar de quem sabe perfeitamente do que está a falar.
Continuamos mais alguns minutos nesta troca de ideias pouco coerentes até que a minha convidada, num repente, exclama:
- Não sei se te deveria dizer isto, mas acabou de acontecer algo muito estranho! Um coelho vestido com casaco, colete e papillon acabou de passar a correr ali na tua sala em direção à porta, enquanto murmurava sem parar que era tarde, muito tarde! E realmente se calhar ele tem razão, já está a ficar tarde e eu vou atrás dele, pois se calhar esqueci-me que deveria estar nalgum outro lugar a esta hora! Beijinhos Alice, gostei de conhecer a tua Cozinha Maravilha!

*Retirado do livro "Alice no País das Maravilhas" de Lewis Carroll - versão da Disney
Mais uma edição deste magnífico desafio "Convidei para Jantar" que a Ana do blog Anasbageri - A Padaria da Ana promoveu e que a Su do blog Suvelle Cuisine este mês acolheu, desafiando-nos a convidar uma das "Personagens de Desenhos Animados" que mais nos marcaram na nossa infância. Pois é óbvio que eu não poderia deixar de mostrar a minha Cozinha Maravilha à minha homónima e encantadora Alice no País das Maravilhas!:)

Ingredientes (10 tarteletes ou 1 tarte grande):
(adaptado do livro "Ramsay's Best Menus" de Gordon Ramsay)
Massa
125g de manteiga s/ sal à temperatura ambiente
90g de açúcar
1 ovo
250g de farinha s/ fermento
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de água fria (ou o necessário)

Recheio
600ml de leite gordo (usei meio-gordo)
8 vagens de cardamomo
1 pau de canela
100g de açúcar
1+1/2 colher de sopa de farinha custard (ou maizena)
4 ovos separados
manteiga para untar e farinha para polvilhar

Para a massa:
Coloque a farinha num monte sobre a bancada, junte o sal e abra um fosso ao centro, deitando sobre este o açúcar, a manteiga e o ovo. Amasse rapidamente e junte a água necessária para encontrar a consistência desejada. Forme uma bola, envolva-a em papel aderente e leve ao frigorífico durante 30 minutos. Pode também amassar a massa num processador de alimentos.
Findo este tempo, estenda a massa na bancada polvilhada de farinha e forre as forminhas, previamente untadas com manteiga e polvilhadas com farinha. Com a ajuda de um garfo pique o fundo de cada forma e coloque-lhes uma rodela de papel vegetal coberta com feijões secos. Leve ao frigorífico mais 20 minutos.
Retire e leve ao forno, pré-aquecido a 200º, durante 15 minutos e de seguida remova os papeis com os feijões e deixe a massa cozer mais 5 minutos. Retire e reserve.
Baixe a temperatura para 180º.

Para o recheio:
Leve ao lume o leite com o pau de canela e as vagens de cardamomo ligeiramente esmagadas. Assim que levantar fervura, retire e deixe repousar durante 15 minutos, para assentar os sabores.
Numa taça, bata o açúcar com a farinha custard e as gemas dos ovos até formar um creme esbranquiçado. Coe para um jarro o leite e depois junte-o em fio, sem parar de mexer, ao creme de ovos.
Bata as claras em castelo e envolva-as no preparado anterior.
Encha as bases das tarteletes com o recheio e leve-as ao forno durante 20 minutos, até começarem a ficar douradas e de seguida, desligue o forno, cubra-as com uma folha de papel vegetal e deixe ficar mais uma hora com a porta do forno fechada, para que o creme assente. O centro deverá ficar fofo.
Arrefeça-as numa grade antes de servir.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Uma receita para mim de um Bolo Folhado de Chocolate!


Gosto de desafios. Do mistério que lhes está associado e da curiosidade que me suscitam...!
Gosto de toda a fase da pré-realização, da expectativa e da idealização. Gosto de chegar ao momento e começar, de forma metódica, a preparar a minha participação, por vezes com algum receio - Será que faço bem assim? - e por vezes com convicção!
Gosto dos momentos de ansiedade que antecedem o final, quando estou a desempenhar os derradeiros passos e a compor os últimos pormenores...
E gosto mesmo muito de quando dou por terminada a minha obra, de a admirar e de finalmente a provar e saborear!

E foi com este espírito, animada por uma enorme dose de curiosidade, que resolvi participar no aliciante desafio "Uma Receita para Ti", lançado pela MissB do blogue Arco-Íris na Cozinha, que nos convidou a confecionar uma receita por ela selecionada.

E aqui está a receita que me calhou, um belíssimo e muito guloso bolinho folhado de chocolate, que surpreendeu todos os que o provaram e será sem dúvida para voltar a repetir!
 
 
Quase não fiz alterações à receita, decidi apenas fazê-lo numa forma redonda e coloquei também creme de chocolate na cobertura.
No entanto, penso que é mais do que suficiente fazer-se apenas metade da receita deste creme de chocolate, pois sobrou-me muito. (lá tive eu que fazer mais uma gulodice para o aplicar...!)
Deixo a receita conforme fiz.
Ingredientes:
400g de massa folhada
6 ovos
200g de açúcar (usei amarelo)
raspa da casca de 1 limão pequeno
175g de farinha
1 colher de chá de fermento
margarina para untar e farinha para polvilhar
açúcar em pó para polvilhar

Para o Creme de Chocolate
2dl de natas
60g de manteiga
150g de açúcar (usei amarelo)
300g de chocolate (usei com 75% de cacau)

Açúcar em pó para polvilhar
Morangos para decorar

Ligue o forno a 180º.
Unte uma forma ou tabuleiro com manteiga, polvilhe com farinha e reserve.
Corte a massa folhada em dois discos ou rectângulos do tamanho da forma do bolo, pique com um garfo, polvilhe com açúcar em pó e leve a cozer sobre um tabuleiro forrado com papel vegetal, cerca de 20 minutos, até se apresentar dourada e cozida. Reserve.
Numa tigela bata os ovos com o açúcar e quando tiver obtido um creme esbranquiçado e fofo junte a raspa de limão e envolva com cuidado a farinha peneirada e previamente misturada com o fermento. Verta este preparado na forma untada e leve a cozer ao forno cerca de 20 minutos. Quando o bolo estiver cozido (verifica-se com o teste do palito), retire e desenforme sobre uma grelha para arrefecer.
Entretanto, prepare o creme. Leve o chocolate a derreter em banho-maria juntamente com a manteiga e quando estiver derretido adicione o açúcar, as natas e deixe mais um pouco sobre o lume, mexendo sempre até o creme estar completamente homogéneo.
Corte o bolo ao meio e comece a fazer as camadas: Barre a primeira camada de bolo com o creme de chocolate, coloque sobre este o primeiro disco de massa folhada e volte a barrar com o creme. Repita tudo outra vez, coloque a segunda metade do bolo, barre novamente com o creme, disponha o segundo disco de massa folhada e finalize com uma última camada do creme de chocolate. Polvilhe tudo com o açúcar em pó e decore com morangos a gosto.

É delicioso!!!

Fica também a receita original que a MissB me enviou.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Arroz de Atum com Ovos Escalfados...e uma História!

Se há comida que me deixa sempre feliz é uma bela arrozada. Seja um simples arroz branco ou um belo arroz de marisco, para mim é sempre uma satisfação.
Quando cheguei ao 6º ano da faculdade, a preparação da prova final levou-me a entrar num espírito de reclusão quase perpétuo. De manhã trabalhava num pré-estágio das 9h à 13h30m e de tarde fechava-me em casa a queimar as pestanas. Ao lanche roía uma peça de fruta ainda sentada à frente do computador e ao jantar engolia uma sopa para logo poder voltar para o meu lugar, onde permanecia até à 1 da manhã. Deixei de ir ao ginásio, deixei de fazer o que fosse, apenas estava focada em acabar o curso. Até o desgraçado do meu marido, na altura namorado, era despachado e só tinha direito a um pouquinho de atenção aos fins de semana! 
Ora a minha mãe, cheia de pena de me ver naquele ritmo, decidiu começar a fazer-me umas coisinhas ao final da tarde para ver se me animava. Qual não é o meu espanto, quando certo dia começo a sentir chegar-me o aroma de biscoitinhos a cozer no forno!! E noutro dia, o barulho de panelas a chocalhar, massas a bater e cozinhados a borbulhar!! A meio da semana!! Era chegar à cozinha quase todos os dias e deparar-me com a minha mãe num rodopio a fazer travessadas de rissóis caseiros, ou um empadão, ou um bolo, ou então uma das suas fantásticas arrozadas, entre as quais um belíssimo e muito memorável arroz de atum com ovos escalfados!!
Escusado será dizer que acabei o curso um bocadinho mais redondinha... Mas muito, muito feliz!!:)

E assim fiz este arrozinho, que tão boas memórias me traz, para celebrar o 1º aniversário do delicioso Bolo da Tia Rosa, o blogue da querida Mané, que para a ocasião nos convidou a partilhar consigo Um Arroz e uma História!

Ingredientes (2 pessoas, a sobrar para mais uma!)
1 cebola
2 dentes de alho
1 folha de louro
1 cenoura
2 tomates de cacho
1 colher de sopa de polpa de tomate
200g de mistura de cogumelos (usei congelados)
2 latas de atum em azeite
2 ovos
sal e pimenta preta acabada de moer q.b.
azeite q.b.
1 raminho de salsa
1 medida de arroz carolino
3 medidas de água a ferver

Descasque e pique a cebola e o alho e leve-os a refogar no azeite escorrido das latas de atum (eu só usei de uma e juntei mais um pouco de azeite normal). Junte a folha de louro e quando a cebola estiver translúcida junte a cenoura descascada e cortada em pedacinhos pequenos e os tomates também em pedaços (não limpei nem peles, nem sementes, mas pode fazê-lo se preferir). Adicione a polpa de tomate e envolva bem. Acrescente os cogumelos, deixe harmonizar os sabores e cubra com a água a ferver. Tempere de sal e quando levantar fervura junte o arroz, previamente lavado para perder a goma.
Quando o arroz estiver quase cozido, incorpore o atum desfeito, envolvendo bem. Polvilhe com a salsa picadinha, quebre os ovos sobre o arroz e tempere-os com um pouquinho de sal fino e pimenta acabada de moer. Deixe escalfar e assim que desligar, sirva de imediato.

Bom Apetite!!

terça-feira, 13 de março de 2012

Assado de Tomates e Couve-Flor com Gostinho Especial

A receita de hoje traz um gostinho bem especial.
Foi com grande alegria que decidi participar na celebração do 6º aniversário do fantástico Cinco Quartos de Laranja, um blogue que há muito gosto de visitar e que nos propunha criar uma receita em que um dos ingredientes seria a laranja. E foi com enorme surpresa e incredulidade que me vi no grupo das felizes contempladas com os prémios sorteados!
Nem consigo explicar o quão feliz me senti quando chegaram os presentes, embalados em caixas de cartão que recebi com um enorme sorriso e um entusiasmo quase infantil! A verdade é que fiquei num desatino tal, que não descansei enquanto não telefonei à minha mãe, ao meu pai, à minha irmã, ao meu marido, etc, etc, para lhes contar o sucedido! E, claro, não descansei enquanto não experimentei as belas iguarias!
Aqui fica então esta receita com esse gostinho tão especial, o da gratidão!

Ingredientes:
1/2 couve-flor
3 tomates de cacho
6 tomates cherry
queijo de cabra a gosto
tirinhas de bacon a gosto
1 colher se sopa de poejos secos
sal e pimenta preta acabada de moer q.b.
Azeite Virgem Extra Herdade do Esporão DOP Moura a gosto 
Condimento de Vinagre com Figo e Canela a gosto

Arranje a couve-flor em raminhos e coza-a 5 minutos em água a ferver.
Escorra-a e disponha-a num prato ou tabuleiro refractário juntamente com os tomates de cacho cortados em quartos, os tomates cherry em metades, as tirinhas de bacon e o queijo de cabra em pedaços. Tempere com sal, pimenta acabada de moer, os poejos, regue com um fio de azeite e cubra com umas gotinhas do condimento de vinagre de figo e canela.
Leve a forno pré-aquecido a 200º cerca de 15-20 minutos e sirva de imediato.

Este excelente azeite é de uma enorme qualidade, destacando-se maravilhosamente nos pratos que com ele se temperam, sejam cozinhados ou ao natural. O condimento de vinagre surpreendeu-me e agradou-me bastante, adorei o seu sabor ligeiramente adocicado e adorei o resultado neste prato, que se pode servir como entrada ou como acompanhamento.
Obrigada Laranjinha e obrigada aos patrocinadores pelos fantásticos presentes que tão feliz me deixaram:)

sábado, 10 de março de 2012

Legumes Salteados à Oriental para uma Convidada muito Especial

Nesta segunda edição do fantástico desafio Convidei para jantar, lançado pela Ana do delicioso Anasbageri - A Padaria da Ana e acolhido este mês pela anfitriã Suzana do fabuloso Gourmets Amadores, foi-nos sugerido que sentássemos à nossa mesa "chefs e/ou cozinheiros cujo trabalho vos preencha o coração (e a barriga)".

Se me dissessem há alguns meses atrás quem eu acabaria por convidar, diria-vos que só podiam estar a delirar. 
Esta senhora entrou em minha casa por obra do acaso. Num dia em que nada de especial passava na televisão e eu, enfadada com tanto canal sem conteúdo que me interessasse, ía saltando de um para outro na esperança de encontrar algo que merecesse a minha atenção. Eu gosto bastante de programas de culinária, mas há alguns que simplesmente não me convencem... Quando vi que estava a dar a Deliciosa Miss Dahl, foi com grande desconfiança que pousei o comando para ver o que dali sairia. E não mais lhe toquei! Rendi-me à sua simplicidade e sinceridade, à sua forma de contar estórias, de interpretar receitas... Desde então, vi sempre que pude o programa e acabei por comprar o maravilhoso livro, que não só tem receitas deliciosas como está repleto de textos onde conta, de forma encantadora, episódios da sua vida.

E assim decidi convidar a voluptuosa Sophie Dahl para jantar!
Imagino-a a chegar numa fantástica tarde de muito sol, sorridente como sempre, do alto do seu intimidante 1,80m.
Convido-a para um chá e uma fatia de um bolo de limão que tenho acabado de sair do forno. Conversamos sobre literatura e sobre a culinária, as suas duas grandes paixões. Conta-me alguns momentos marcantes da sua infância e da sua triste estadia num colégio interno, longe do encanto e magia descritas nos lendários livros de Enid Blyton.
Levo-a a visitar a minha varanda, onde orgulhosamente lhe mostro o meu pequeno jardim de ervas aromáticas, timidamente dispostas em vasos. Ri-se do meu lindo e farfalhudo tomilho-limão e gaba-me a minha viçosa salsa (cujo enorme vaso de barro já tem um belo pedaço arrancado), o meu ainda muito bebé alecrim, a minha alegre hortelã e o meu vibrante malagueteiro.
Chegada a hora do jantar, sabendo que não come carne e prefere refeições ricas em legumes e cor, decido preparar-lhe algo que costumo fazer várias vezes e que adoramos, um salteado de legumes com um toque oriental. Sirvo-lhe um copo de vinho branco maduro, que vai bebericando encostada à bancada, enquanto me observa a cozinhar. Chegada a hora da verdade, sentamo-nos à mesa e munidas de pauzinhos, provamos a iguaria. Delicioso!, diz-me ela num português arranhado e com um sorriso franco rasgado!
Terminamos com um surpreendente arroz doce, receita sua que decido fazer e que ela prontamente aprova, sugerindo outras possíveis variações e combinações!
Despedimo-nos por fim, depois de um serão bem animado e fico bastante surpresa quando me pede a receita do jantar, que lhe passo de imediato com um enorme rubor no rosto:

Ingredientes (2 pessoas):
1 beringela
1 courgette
2 talos de aipo
1/2 pimento verde
1/2 pimento vermelho
1 alho francês - a parte verde
200g de cogumelos frescos laminados
1/2 lata de rebentos de feijão mungo (ou a gosto)
10 tomates cherry
6 a 8 espigas de milho bebé (ou a gosto)
1 fio de azeite
sal e pimenta preta acabada de moer q.b.
1 colher de café de gengibre em pó
1 fio de molho de soja (ou a gosto)
1 fio de mirin
1 fio de óleo de sésamo
sementes de sésamo a gosto

Corte a beringela e a courgette, com a casca, em cubinhos e leve-as a saltear num wok (ou frigideira anti-aderente) com um fio de azeite.
Junte os talos de aipo picados e os pimentos cortados em juliana e salteie mais um pouco. Corte também o alho francês em juliana, por forma a ficar com tiras compridas e acrescente-as aos restantes legumes, juntamente com os cogumelos laminados. Tempere de sal (pouco, pois o molho de soja também tem sal), pimenta, o gengibre e regue com um fio de molho de soja. Deixe apurar um pouco e regue com um fio de mirin.
Quando os legumes estiverem quase prontos, junte os tomates cortados ao meio, os rebentos de feijão mungo e as espigas de milho bebé. Regue com um fio de óleo de sésamo e deixe absorver os sabores.
Entretanto, numa frigideira anti-aderente torre ligeiramente as sementes de sésamo.
Sirva os legumes de imediato, polvilhados com as sementes de sésamo.

E bom apetite!

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